PABLO - RIO BRANCO

Entrevista com Pablo, responsável pelo Rio Branco

Por Zé Maria | 31.08 - 22hs 37min | Atualizado em 30.12 - 10hs 12min | Lida 583 vezes.


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Pablo – Rio Branco


 

Identificando

 

Nome: Pablo Alves Fernandes

Idade: 33 Anos

Natural de São Paulo - SP

Altura / peso: 1,70 m e

Estado civil: Solteiro

Clube do coração: S. C. Corinthians Paulista

 

Abrindo o Jogo

 

Como e quando você se ligou ao futebol?  

Para ser sincero acho que desde a barriga da minha mãe, tenho lembranças eu pequeno dando os primeiros passos e com uma bola debaixo do braço, me lembro quando pequeno lá para meus 10 anos, jogava com alguns caras da minha rua, contra os das outras ruas do bairro e eu sempre era o pirralho da turma, mas sempre no time, e ai depois tentei ser jogador de futebol profissional, passando por categorias de base do Palmeiras, Osasco, até me profissionalizar no E. C. Lemense, mas preferi abandonar a carreira em 2.003.

 

Por que você desistiu da carreira profissional no futebol?  

Por uma série de fatores. Eu já estava cansado de ir a clubes sem estrutura e daí a dedicação já não era a mesma de garoto, onde o sonho era maior. Todos nós precisamos começar por baixo. Eu gosto de futebol por paixão e prazer, ao contrário de muita gente que sonha ser jogador de futebol visando o dinheiro, dinheiro é bom, mas não compra caráter, saúde e felicidade. Ele pode comprar momentos de alegria, mas não a felicidade. Nesses clubes de menor expressão, a grande maioria, você vai pela vitrine, pois não há como ganhar dinheiro através deles. No começo é somente alegria, começo de campeonato, projeto novo, jogadores novos, comissão técnica nova, com as empresas da cidade investindo em troca de um pequeno espaço (propaganda) no muro do estádio e em alguns casos, nas placas de publicidade, a padaria doa os pães para o café da manhã e lanche da noite, o mercadinho doa mantimentos para as demais refeições do dia, a farmácia doa os medicamentos, as empresas pagam os salários...E bastam quatro ou cinco resultados ruins, o time não anda e as coisas começam a diminuir, até que somem. Os salários são ridículos, atrasam e se houver um jogador mais rodado, ai é que atrasa mesmo, pois o dele não pode atrasar por inteiro e mesmo assim ainda atrasa. Isto vai gerando um desgaste e fui me desinteressando por essa profissão. Faltou um pouquinho de sorte, pois sempre fui enviado a clubes com a temporada já começada e sempre vinham com desculpa de que eu tinha potencial, mas lá já havia jogadores do mesmo nível que eu, que eu não desistisse e procurasse outro clube. Chegou um momento em que eu já tinha um relacionamento longo com uma pessoa e resolvi não mais seguir, pois acreditava que ela estava cansada de tudo aquilo, assim como eu e que eu precisava correr atrás do tempo perdido. Foi ai que eu resolvi parar e procurar outra área da qual eu gostasse muito. Hoje eu me arrependo de não ter parado antes, pois mais perdi do que ganhei com o futebol profissional. Enfim, eu acredito que são coisas da vida, por onde eu devia ter passado. Hoje eu sou feliz com o futebol amador, onde ganhei muito mais do que no profissional.

 

Você hoje faz parte do Rio Branco, quais foram as suas equipes anteriores?  

Joguei muito em Campo de Futebol de Várzea, era boleiro, recebia para jogar e quando não tinha bicho jogava no time do meu pai, Ajax F.C do Jabaquara, joguei nos Leões da Freguesia do Ó, Unidos do Santa Lúcia do Tatuapé e Raízes, ambos da zona leste e no Lapiano, time do meu empresário na época.

 

Você joga e ainda é responsável pelo time, como conciliar as duas atividades?  

Confesso que já foi bem mais difícil, pensei muitas vezes em jogar tudo para o alto e deixar que outros tomassem conta, mas fui sempre convencido a não desistir, inclusive o Ramon do Esquadrão F. S., paizão de todos me deu muitos conselhos e me fez enxergar, junto com meu braço direito no Rio Branco, o Juninho, que se eu abandonasse o time, ele poderia acabar, foi ai que pedi que me ajudassem e começamos a dividir funções, pois eu recebia mensalidade, lavava e arrumava uniforme, marcava jogos, comandava o 2º Quadro (chegando às vezes a pegar no gol por falta de goleiro) e jogava no 1º Quadro, quando por um tempo até cheguei a jogar e o comandar. O stress era muito grande, hoje só cuido da parte da Internet, jogo no 1º Quadro e resolvo problemas mais sérios.

 

Você é presidente do Rio Branco? Qual é a Hierarquia dentro do Rio Branco?  

Como falei anteriormente, até uns dias atrás, era tudo eu, agora não! Sou o presidente, Juninho é o diretor financeiro e técnico do 2º Quadro, Chicão (Presidente Honorário por ser uns dos fundadores e o único que continua presente até os dias de hoje, inclusive jogando) Tonho, Japonês, Binho e Baby são os Conselheiros, Nilton (Tinho) é o financeiro, Gustavo é o “juvenil”, o “Severino“ do time, cuida da roupa, água, súmula e chave do vestiário, afinal está no começo da carreira e como “juvenil” que se preze tem que sofrer (risos). E a mais nova contratação, Luís Fernando (Lucas), novo técnico do 1º Quadro.

 

Qual a maior dificuldade para se organizar uma equipe?  

Por ser um time de várias pessoas é bem complicado, pois as idéias nem sempre são de acordo e ai é sempre aquela polêmica e cada um tem a sua opinião, ai vamos confrontando as idéias até que se chegue a um acordo e decidimos o que tem que ser feito. Só ai é que é colocado em prática.

 

Você passou por momentos difíceis no Rio Branco, com as equipes visitantes reclamando da arbitragem, sendo motivo de discussão na reunião do conselho de 2.009. Como foram estes momentos? Como eles afetaram à sua equipe? Como você os resolveu?  

Foram dias tensos os que antecederam a reunião de 2.009, pois eu sabia que não tinha culpa, a minha arbitragem realmente poderia ser considerada fraca, mas não como fomos julgados, de tendenciosa, e o que mais doeu foi à maneira como se desenrolou os fatos, uma equipe reclamou ao final do jogo e eu mesmo pedi que fosse atrás do Conselho, ele fez, mas além de fazer ao Conselho, ele jogou no mural. Na semana seguinte uma outra equipe, no primeiro lance de jogo, em uma disputa no ar entre os dois jogadores, onde houve um pé alto de ambos e o Juninho, que na época era quem apitava, considerou que os dois foram com pé alto e o responsável passou por mim e disse que já haviam avisado sobre minha arbitragem. Ele passou o jogo inteiro falando de todas as jogadas e foi ao mural. Daí veio uma terceira equipe, essa eu tenho uma baita consideração por eles, e eles foram ao mural reclamar, sendo que nosso jogo tinha acontecido há algum tempo. Eu fui para a reunião com três reclamações. Por fim veio à punição após a 4ª reclamação, que tenho certeza de vir de uma pessoa influente na liga, ele tinha problema pessoal com o Juninho, pois não se bicam até hoje. Ele tomou cartão por uma falta e saiu de quadra ofendendo ao Juninho que, foi mudando de cartão, até o expulsar de vez. Depois ficaram no churrasco e veio uma reclamação e com isso a punição, onde eu estava em 5º lugar do ranking e com a punição despenquei para 12º lugar e não mais consegui voltar ao grupo de classificados para a Copa dos Campeões, ficando fora dela. Com isso resolvemos apertar um pouco o cinto e colocar arbitragem federada, que às vezes também erra, mas, que passou de tendenciosa à fraca, mas pelo menos é uma dor de cabeça a menos.

 

O que você acha do conselho? Você é um dos mais atuantes nas reuniões e raramente falta a elas.  

Só não participei de 2.008, pois trabalhava de sábado e não poderia faltar no melhor dia para vender. Meus diretores não existiam na época. Na minha opinião é fundamental para o sucesso do Society da Futliga. Penso que se queremos que as coisas funcionem temos que arregaçar as mangas e brigar por nossos interesses. Fico triste quando vejo pessoas criticar esse ou aquele por qualquer motivo, mas ver que o cara não dá a cara para bater, fica escondido em casa, atirando pedra por cima do muro, não acho legal. É igual a uma equipe que fez a reclamação da minha equipe, ela cresceu no meu conceito, pois foi lá defender o que ele achava. Eu até tentei, depois que passamos a jogar com arbitragem federada, uma reaproximação que, ainda não fora possível, mas quem sabe ainda não possamos conseguir mais essa conquista.

 

Você participou da organização de um festival que foi um sucesso, Qual era o seu objetivo com o festival? Qual a maior dificuldade passada na organização? Qual a maior alegria com o festival?  

Fiquei muito feliz e foi graças à ajuda do Juninho, do Alemão (Contra Bola) e com mais algumas dicas do Ramon (Esquadrão) que tudo saiu corretamente, sem eles eu não teria seguido em frente. Queria que nosso aniversário de 20 anos, que completaremos agora em 10 de setembro, não passasse em branco. Foi uma maneira legal de comemorar, com amigos e com uma festa marcante. A maior dificuldade foi uma pequena confusãozinha em um jogo, pois não tinha experiência em eventos e não sabia como agir naquele momento. A maior alegria foi ver a satisfação de todos os participantes, consegui fazer até uma equipe de árbitros, invertendo a ordem das coisas, onde eles, que apitam, puderam jogar e serem arbitrados por jogadores. Eu confesso que, mesmo eu fazendo às vezes de juiz, pois árbitros são eles que são profissionais do apito, no fundo, queria que eles tivessem vencido, mas não puxei sardinha para eles e também não deu para eles. O time de veteranos era bem organizado e faltou perna para os árbitros.

 

Você passou por uma séria contusão tempos atrás, com foi esta contusão? Como você a superou?  

Passei por uma maré ruim mesmo, tive distensão na coxa direita, tive suspeita de problema no coração, depois estiramento na panturrilha esquerda (essa me incomodou muito), pois rompeu as fibras do músculo. Por último, uma crise de pedra nos rins, que me afastou por mais de duas semanas das quadras. Essa foi a mais séria, fui obrigado a ficar parado quase três meses, devido a uma suspeita de problema no coração. Estava marcado até um cateterismo, que fora descartado pelo chefe da cardiologia do meu convênio. Aqueles três meses foram péssimos, a cabeça fica à milhão, pois tenho casos de problemas cardíacos na família e vivo em constantes visitas ao cardiologista. Recomendo àqueles que nunca fizeram, que passem por uma avaliação clinica, principalmente do coração, pois é uma coisa séria, onde se tivermos problemas em nossas quadras, com certeza será fatal, pois não tem tempo para fazer o resgate conveniente. É só pegarmos os casos de jogadores que morrem em campo, profissional que vive com médicos em cima, que tem todo um aparato, não dá tempo de socorrer, imaginem em nossas quadras, até chegar socorro já passamos dessa para outra.

 

Você está hoje empenhado na atualização da lista de contatos entre as equipes, como anda este projeto? Qual o objetivo do projeto? Qual a maior dificuldade encontrada?  

Sinceramente? Por hora desisti, a idéia era que fosse criado um circulo de pessoas interessadas em deixar seu contato e receber outros para as pessoas agendarem jogos mais facilmente, quando precisássemos. Eu vejo várias equipes virem ao mural pedindo contato de outra e a liga não divulga esse contato com tanta facilidade. Então tive essa idéia para que houvesse um circulo de contatos, mas vejo que as pessoas são muito egoístas, e só se preocupam na hora que precisam de algum contato. Muitas equipes não fazem questão de ter seus contatos divulgados, então preferi deixar um pouco de lado a idéia.

 

Quando eu te conheci você tinha os cabelos compridos. Você é roqueiro? Por que os cortou?  

Não sou roqueiro não, gosto de todo tipo de música, pagode, forró, axé, sertaneja, enfim sou um pouco eclético. Quanto ao cabelo, resolvi cortar. Cansei deles e das pessoas que conviviam comigo se incomodarem e dizerem para cortar, pois me deixava com aparência mais velha e quando agente aparenta mais idade, já tendo uma certa idade, é de se preocupar um pouquinho. Dai veio à idéia de mudar de visual, acho que estou melhor e mais feliz assim.

 

Na cultura brasileira as festas no futebol estão associadas a churrasco, cerveja e samba. Como fazer para curtir estas festas sendo roqueiro? E no Rio Branco, como se comemora? Samba, suor e cerveja ou com uma boa guitarra?  

O Rio Branco tem grande parte dos integrantes com origem nordestina, então lá é muito churrasco, cerveja e forró. Tem a turma que gosta de pagode e tem até uns que gostam de funk. Lá tudo vira festa, é uma mistura de ritmos. O importante é ter festa e quase todo domingo, chova ou faça sol, com vitória ou não, quase sempre tem agito. E quando a equipe já é de casa, ai que é obrigação mesmo!

 

 

A maioria das equipes utiliza a palavra “família” como sinônimo da equipe. No Rio Branco também é assim? Você acha possível ter uma equipe sem a presença da família?  

No Rio Branco é assim também, e como toda família, agente joga, ganha ou perde, briga, discute, mas na outra semana está tudo de novo numa boa, até porque família é tudo. Lá adotamos que, se tem que jogar por amor, ter identidade com a equipe e defender as cores da equipe com muita força e luta. Pode se perder, mas com a cabeça erguida, principalmente com respeito ao adversário, pois os adversários são iguais a nós, defendendo a família deles também. Equipe sem ser família, não vinga! Acabam ficando pelo caminho.

 

O que você faz quando não está envolvido com o futebol? Qual o seu hobbie?

Gosto de estar com a família, os amigos falando besteira, dando risada. Adoro crianças e tenho um sobrinho de dois anos que é a minha vida, minha paixão. Meu hobbie é estar com ele, troco tudo para ficar brincando com ele, é o filho que ainda não tenho. Tudo que vejo é para ele, criança é vida e faz com que nossos problemas sejam esquecidos, pelo menos naquele momento onde estamos fazendo bagunça. Volto a ser criança com ele, ou seja, hoje ele é minha maior alegria.

 

O Rio Branco realiza jogos de ida e volta. Qual a maior dificuldade em se jogar fora?

 É conscientizar o meu pessoal de que jogar fora não é porque gosto, nem porque quero, mas sim porque precisamos fazê-los, para ter jogos em casa. Com isso aumentamos as nossas amizades. Hoje, apesar de estar jogando menos fora, pois se não fosse a parceria com o Contra Bola, já teríamos dado vários W.O. Tornou-se chamado obrigatório o convite a equipes como: Axé (Dárcio), 112 (Pablo), Stupim (Léo), Renegados (Edílson), apesar de que na última vez nós demos W.O. Eu estava de cama, com crise nos rins e o restante do pessoal foi muito irresponsável e não conseguiram juntar um pessoal para ir até a quadra deles.

 

Como fazer para ter um grupo forte nos jogos fora?

No meu caso tive que fazer parceria com o pessoal do Contra Bola ou continuaria indo quebrado e passando vergonha, apesar de não ter conseguido ser tão forte fora ainda, mas estamos tentando a cada jogo aprender com os erros e a cada ano melhorar ainda mais.

 

E para receber um mandante, é igual a um jogo contra um visitante de ofício ou é diferente? Qual a maior dificuldade neste caso? E a maior satisfação?

O jogo em casa é mais difícil, pois você como anfitrião, tem que receber muito bem. No meu caso, meu horário não é dos melhores, então se não fizermos por onde, ninguém quer voltar mais lá. Eu sou uma pessoa que gosto das coisas corretas, nem sempre conseguimos a perfeição, mas o que me deixa feliz é ver as equipes sempre agradecidas pela recepção e principalmente querendo voltar. Desta maneira é sinal de que você está no caminho certo, se bem que tem equipes que nós é que fazemos questão de nem receber mais.

 

Como é o relacionamento entre o Rio Branco e o Contra Bola? Há uma parceria? Eu já ouvi até o termo Rio Bola.

Pois é o Alemão é um cara parceiro e as coisas sempre se encaixaram como uma luva nos projetos e nossas idéias sempre bateram. A nossa parceria deu tão certo que temos um uniforme igual, com o mesmo desenho e patrocínio, só muda a cor da lateral da camisa e dos shorts e meiões e sempre que vamos aos festivais com um quadro apenas, tivemos a idéia de ir como Rio Bola.

 

Onde você se considera melhor, dentro da quadra ou nos bastidores?

Gosto de estar dentro da quadra, é onde me sinto mais à vontade, mas acho que para o Rio Branco sou mais importante nos bastidores, pois como falei anteriormente, acredito que se eu resolvesse não comandar o Rio Branco, ele se enfraqueceria. Eu não vejo alguém que possa fazer a ligação de bastidores, já o Pablo jogador, se sair aparece outro jogador igual, ou melhor.

 

Qual o seu objetivo no futebol?

Formar e quem sabe ainda ter tempo de jogar numa equipe que jogue fácil, como os Top jogam, gosto de futebol bem jogado, aquele onde se trabalha a posse de bola rodando e deixando tonto o adversário, para na hora certa atropelar, como jogam alguns adversários e quando termina o jogo, digo aos meus companheiros: “Um dia ainda faço uma equipe jogar assim”. Eu joguei em um time que jogava assim, mas era salão, jogamos apenas um ano juntos. Eram todos ex-jogadores de futebol profissional, brincávamos com a bola e enfiávamos goleadas monstruosas nos adversários. Eu me lembro de um jogo nosso onde o nome do nosso time era 25 de março e quando fizemos 25 x 02, combinamos que não faríamos mais gols, ai teve uma jogada onde rodamos e um jogador nosso recebeu a bola em cima da linha do gol e ficou sem graça de não empurrar para dentro, acabamos vencendo por 26 x 02. Até que um dia jogamos apostado contra a equipe dos Armarinhos Fernando, os caras só tinham profissionais do Salão, fomos castigados e tomamos uma saraivada de 8x1, fora o baile e do nada o time se desfez, mas foi legal participar daquele time. Sinto saudade.

 

Qual o objetivo do Rio Branco para os próximos anos?

Quero colocar a Equipe na Copa dos Campeões pelo menos uma vez, sei das limitações da equipe e que não temos equipe para sermos campeões, mas quero ter o gostinho de participar da competição, só por curiosidade.

 

O que você já fez que não faria novamente? Como jogador e dirigente.

Como jogador, acho que teria me dedicado mais e pensado um pouco menos nas pessoas e na família, ir com mais afinco na carreira, quem sabe eu teria chegado mais longe. Como dirigente não assumiria o comando e a Presidência do Rio Branco, acho que foi a maior cilada em que eu me meti. Mas já que peguei o barco, vamos ver até onde agüento.

 

Qual dica no quesito direção você daria para as demais equipes co-irmãs? Para elas obterem sucesso nas suas caminhadas.

Respeito acima de tudo, lembrando que do outro lado tem homens iguais aos do lado de cá e que querem a mesma coisa que queremos, que nada vale mais do que, ao final da partida, ganharmos amigos ou reforçarmos o laço de amizade. A vitória a qualquer preço não tem valor, pois apenas esconde uma situação que, uma hora ou outra caíra, pois não adianta você ganhar a qualquer preço jogando em seus domínios e na hora dos campeonatos, onde as regras serão cumpridas, ser punido e cobrado pela bola.

 

E no quesito jogar, qual dica você daria para quem joga? Para eles não cometerem erros graves.

A mesma dica serve nesse caso, você respeitando, com certeza terá o respeito de todas as equipes. O bom jogador é aquele que tem a humildade e simplicidade ao corrigir seus erros. Eu sou muito religioso e penso muito em Deus, então o que não quero para mim, não faço e não desejo para os outros, não gosto de machucar ninguém, não entro na maldade em ninguém> Aconteceu esse ano com uma equipe, onde fui caçado em quadra e o juiz não tomava uma atitude, teve um lance o cara me deu um chute que, mesmo com caneleira, chegou a arrancar um pedaço e o cara comemorou a pancada. O juiz nada fez, na hora pedi para sair para não agredir o cara e gerar algo um pouco mais grave, até porque a culpa não foi dele e sim do arbitro que permitiu que ele fizesse o que queria. Eu avisei ao Sidney que aquele arbitro não precisava mais apitar lá. È assim que procuro agir, tanto com equipes e com os árbitros, agradou a porta está aberta, não agradou, não o queremos mais por lá, é simples!

 

O que você mudaria no futebol? O que mais te desagrada no meio?

Tem muita coisa que precisa e tem que ser mudada, mas, para isso precisamos de uma reeducação, como tudo no nosso país. Somos ”ensinados” a sempre reclamar, jogadores que fazem a falta e mesmo assim reclamam que não fizeram e ainda são santos. A cultura de culpar sempre o árbitro. Enfim, sempre que possível, tentamos tirar a nossa parcela de culpa. O que mais me desagrada é a politicagem, a violência e principalmente a traíragem, essa não tolero.

 

 

E nos “boleiros”, o que você não aprova?

Não é que não aprove, até porque já fui boleiro, mas o que é chato é que o boleiro joga por interesses e acaba não havendo identidade com a equipe, cabe a equipe não aceitar boleiro no time. Ou estamos todos os jogos juntos ou então que se banque o boleiro a vida toda. Não sou a favor de uma equipe correr o ano inteiro por uma vaga e numa outra fase do campeonato, você trazer jogador de fora e tirar a oportunidade de quem, verdadeiramente, colocou a equipe nessa fase.

 

Qual o seu maior feito no futebol?

Ainda não tive nenhum grande feito. Quem sabe agora não seja a hora de conseguir levar, o Rio Branco, ou uma outra equipe, sobre o meu comando, a uma Copa dos Campeões. Ou ainda a uma outra competição mais importante e nela ir longe. Quem sabe um título, ai sim poderia ser chamado de “Um grande feito”.

 

E na vida pessoal?

Por enquanto foi ter montado a minha própria empresa, que está no começo. Ainda não tenho nem um ano de abertura, mas estamos firmes e fortes. Eu acredito que o maior feito na vida de um homem é a hora em que ele constrói sua família, e é isso que estou em busca nesse momento.

 

Há alguma coisa que você utiliza na sua vida pessoal e que tenha sido aprendida através do futebol?

Liderança, respeito e competitividade, em tudo no qual eu esteja envolvido, seja no trabalho, ou no dia a dia. Seja aonde for, sempre quero ser o melhor naquilo que me prontifico a fazer, para ser mais um, prefiro nem me aventurar. Eu sempre respeito ao outro envolvido, isso com certeza veio do esporte.

 

Toque-Rápido

 

Um chute de bico: Mentira

Um toque de classe: Amizade

Uma falta grave: Traição

Um motivo para festa: Jogos do Rio Branco

Uma batucada: Bateria dos Gaviões da Fiel

Uma covardia: Tudo que é feito pelas costas

Uma máquina de tocar: A vida

Um brucutu: Qualquer zagueiro do Rio Branco

Uma loucura: O Corinthians

Um tique: Não tenho

Uma convicção: Serei sempre muito feliz

Um show: Raça Negra

Um monumento: Kelly Key.

Uma delícia: Mulher

Uma música: Te Quero Comigo – Raça Negra

Um instrumento musical: Cavaquinho

Um desenho animado: Todos na companhia do meu sobrinho Miguel

Uma pelada: No Rio Branco não existe pelada 1º Quadro x 2º Quadro, é para ser pelada e acaba virando guerra.

 

Considerações Finais: Agradecer a Deus por tudo que tem me feito e a vocês pela oportunidade de abrir um pouquinho da minha vida. Eu não esperava ser convidado como “Celebridade”, mas foi muito legal participar. , Deixo um abraço a todos que respeitam e gostam, não só do nosso trabalho, mas também da nossa equipe, e também nos dão apoio sempre. Se eu citar nomes, poderei ser ingrato com alguns, esquecendo nomes, mas eles sabem o quanto foi importante para o nosso crescimento. Também convido a aqueles que não nos conhecem, a nos prestigiar e nos visitar. Segue nosso contato no www.riobrancofs.com.br Um forte abraço e fiquem com Deus

 

Entrevistador: Valter Vaders



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