FALA DUDA

Semi-Profissionais, os Cafetões do Futebol Society

Por Zé Maria | Postado em 17.10 - 15hs 38min | Atualizado em 23.10 às 11hs 10min | Lida 211 vezes. | Imprimir Adicione ao Twitter Adicione ao Delicious Adicione ao Facebook Adicione ao MySpace Adicione ao Orkut



 

Por Douglas Araújo


Meus amigos ao passo que 2009 caminha para seu final, faço um balanço geral do futebol society em São Paulo e Região. Infelizmente a crise chegou aos gramados sintéticos e atingiu em cheio as equipes, principalmente aquelas que não tem um suporte financeiro ou ajuda de terceiros como empresas, ou que são literalmente bancadas por empresas. O futebol society enfrenta hoje uma crise nacional e alguns vilões se destacam um deles é o mercado imobiliário, afinal quantas quadras em dois anos fecharam e viraram conjuntos residenciais? Só na zona norte dois complexos tradicionais deram lugar a moradias verticais, o São Paulo Center-Santana, localizado na Rua Benta Pereira e o Cobra Coral da Rua Padre João Gualberto que por mais de uma década abrigou equipes tradicionais como Viralatas, Vale Seco, Embassados, Nóis na Fita, União do Imirim, Chorões e Axé. Outro adversário que no embalo da crise desfavorece, são os times empresariais, que de uns anos para cá simplesmente tomaram proporções monstruosas e aparecem a cada semana, mas o amigo deve se perguntar, - a chegada de empresas não ajuda o futebol society?

Minha resposta é, - Depende do que chamam de ajuda, temos bons exemplos como da CCSA Construção, Shallon Recursos Humanos e Signos Restaurante que incentivam equipes amadoras, sem fazê-las perder sua essência. Recentemente fui convidado para realizar um trabalho junto a uma das equipes mais tradicionais do society paulistano, o Soccer Club da Moóca e o Sr. Durval me confidenciou que apesar de toda a tradição extrutura do seu clube, também sente a pressão dessas outras formas de equipe e que não dá para entrar no olho do furação. Essa nova ameaça ao segmento 7 society, mostra o lado sombrio e enxerga no futebol society mais uma forma de lavar dinheiro e pior, quebram as equipes amadoras aliciando seus bons jogadores em troca de cachês, insignificantes. Isso cria uma atmosfera desfavorável ao crescimento da modalidade no País, já que além de exterminar as equipes amadoras não tem nenhuma perspectiva de longevidade, basta a fonte secar, e acreditem fonte seca mesmo, para as semi-profissionais classifico assim, também desaparecerem. Do contrário do futebol society 100% amador onde a ética ainda existe, tanto que um jogador não troca ou joga em outra equipe sem uma consulta formal a seu atual time, os semi-profissionais agem como verdadeiros cafetões do society, uma pena, afinal isso só mostra mais uma face da desigualdade social, política e econômica do nosso País, que troca seus momentos de lazer dos finais de semana, por míseros R$ 50,00 por partida, algo que não resolverá em nada sua situação, tampouco contribuirá para sua qualidade de vida.

Impossível ser competitivo quando as armas do jogo não são as mesmas, quando os princípios não são os mesmos, quando o caráter não é o mesmo, o futebol society pode morrer antes de completar a maior idade, já que os gafanhotos oportunistas abandonam o pasto depois de o devastarem, quem quiser pagar para ver...


Douglas Araújo é Jornalista Esportivo, Gestor em Rádio e TV e Diretor Executivo do Arruda Futebol Club.


Tags:  Duda  semi-profissionais  futebol society 

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